Acordei com o toque do celular do Niall. Rolei na cama e ela parecia não ter fim. Olhei ao redor e ele não estava do meu lado, apenas seu travesseiro e o cobertor embolado, que usei para cobrir meu corpo. Eu lembrava claramente de tudo o que havia acontecido, como? Eu não devia ter esquecido?
Eu não queria esquecer porque foi ruim, e sim porque foi muito bom. Como eu olharia para o Niall agora? Ele me via como uma garota difícil e chata, e então, de repente eu resolvo agarrar ele e fazer o que fiz? Não teria nenhum sentido.
Depois de pensar um pouco resolvi que o melhor á se fazer era fingir que eu havia ficado tão bêbada e não lembrava de nada. O chuveiro se desligou, e no tempo que ele demorou para andar do box á porta catei uma blusa sua no chão e a vesti.
- Oi, já acordou? - ele abriu a porta do banheiro e todo o quarto foi dominado por uma nuvem de vapor - Tudo bem?
Ele estava apenas de toalha, será que agora tinha em mente que eramos íntimos?
- Oi. - respondi secamente, agora sentada na ponta da cama.
Niall andou até mim e me deu um beijo na bochecha, não demonstrei nenhuma reação.
- Dormiu bem? - ele sorriu. Não era um sorriso comum, havia algo por trás.
- Sim, e você?
- Muito bem. - sorriu de novo.
Dei um sorriso amarelado e levantei da cama falando que iria tomar um café. Ele me parou, segurando meu pulso.
- Você não vai fazer isso comigo, não é? - ele perguntou.
- Isso o que?
- Isso, de fingir que nada aconteceu.
Puxei meu braço, ele arrumou a toalha.
- Não sei do que você está falando. - respondi sem olhar nos seus olhos.
- Não sabe? Mesmo?
- Não.
- Então você não lembra de nada?
- Não Niall, só lembro que estava bêbada.
Ele riu alto, continuei o encarando.
- Bêbada? - agora parecia com raiva.
- Conversamos mais tarde, poe uma roupa primeiro. - respondi tentando ganhar tempo para pensar.
- Não, eu quero conversar agora.
- Agora não dá, estou com dor de cabeça.
- Ah, - ele riu de novo - deve estar com uma tremenda ressaca! - havia um tom de ironia na sua voz.
- Talvez sim.
- Não.
- Sim.
- Por que você insiste em fingir? Pra que tanto medo?
- Medo de você? - eu ri.
- Medo de sí mesma. - fiquei séria.
- Vou comer alguma coisa - falei depois de uma pausa.
- Você não sai daqui antes de conversarmos.
- É? E quem vai me impedir?
Me virei para abrir a porta, Niall segurou meus dois braços com uma só mão.
- Virou macho agora? - perguntei em um riso sarcástico.
- Já faz tempo. - ele me puxou.
- Serio? Não percebi.
- Não foi isso o que você disse ontem á noite. - ele me empurrou de leve ao lado oposto ao da porta.
- Eu não lembro do que eu disse.
- Quer que eu refresque a sua memória? - então girou a chave na maçaneta.
- O que está acontecendo com você Niall? - andei até o outro lado do quarto - Resolveu se revelar?
- Não, eu apenas quero conversar.
- Ok Niall! Ta bom! Vamos conversar então! - me sentei na ponta da cama - Fala!
- Você me deve respostas.
- Eu não devo nada para ninguém.
- Por que você fingiu estar bêbada?
- O que? Eu não fingi nada! Do que você está falando?
- NÃO TINHA ÁLCOOL NAQUELAS BEBIDAS! - ele parecia bravo, dei um passo para trás.
- Se não tinha então como eu fiquei bêbada? - fingi.
- É essa a questão (S/N), por que? Como? Isso me leva á pensar que você estava fingindo.
- Por que eu fingiria?
- Para não se sentir culpada.
- Culpada pelo o que? Eu não fiz nada de errado.
- Depende: o que é errado pra você? - ele passou a mão pela barba claramente estressado - Sai do quarto.
- Não fala comigo como se eu fosse sua filha.
- Se você fosse minha filha estaria de castigo.
- Que patético.
- Sai do meu quarto.
- Me obrigue.
- Você não queria sair? Agora você quer ficar? Por que sempre tem que me contrariar?
Fiquei em silencio, o encarando de braços cruzados.
- Você gosta de mim - Niall disse - só pode.
Dei um riso forçado e saí do quarto, ele bateu a porta.
Desci as escadas e sentei no sofá encarando a parede. Como ele consegue me irritar tanto?
Supor que eu gosto dele é o cúmulo da ignorância! Se eu tivesse a opção de voltar no tempo com certeza voltaria para o dia anterior e ignoraria as mensagens do Harry. Droga Harry, por que você me convidou para sair com vocês? Eu não devia ter aceitado sair com estranhos.
Ouvi passos na escada e virei o rosto para o lado. Niall passou por mim e me ignorou, assim como eu estava fazendo com ele.
- Acho que vou embora. - comentei.
Ele fez um certo com a mão e andou até a cozinha. Fui até o
banheiro e vesti minha única opção de roupa: o vestidinho preto da noite
passada. Botei a blusa do Niall por cima e voltei para a sala. Agora Niall
estava sentado no sofá.
- Pode me dar uma carona? – perguntei.
- Sim. – ele respondeu secamente se levantando e pegando uma
chave de cima da mesa de centro.
Abri a porta e senti como se estivesse levando um tapa na
cabeça. Milhares de fãs gritaram, fechei a porta com força.
- O que foi isso? – ele perguntou.
- Fãs. – respondi.
- Fãs?
- Fãs.
- Como assim?
- Estão cercando a sua casa. Tem uns seguranças e uma grade.
- Como elas descobriram que eu estou aqui?
- Você esqueceu que deu uma entrevista á uma revista local?
- Sim.
- Lesado.
- Shhh...
Ele abriu um pouquinho a porta e se ouviu os gritos
novamente.
- Estou confinado dentro da minha própria casa. – ele
comentou.
- Estou confinada com você dentro da sua própria casa. –
comentei de volta.
Niall me olhou por um momento e fez uma cara pensativa. Não
entendi.
- E agora? – perguntei.
- Vamos esperar elas irem embora.
- Acho que não vão tão cedo. – respondi.
- Uma hora elas vão.
- E se elas revezarem?
- Se revezarem estamos ferrados.
- Você sabe cozinhar?
- Brigadeiro conta?
- Sim.
- Então eu sei. E você?
- Fast food conta?
- Não. Vamos morrer de fome.
- Vamos.
Niall jogou a chave de volta para a mesa de centro.
- Beleza, - ele se virou para mim – vou te ensinar agora o
manual de sobrevivência de um cantor mundialmente famoso.
Revirei os olhos.
- Já passei por isso varias vezes, - ele continuou – a nossa
salvação será: minha sala de jogos, filmes e pipoca.
- Uau, que super manual.
- Não fale mal do manual, foi o Harry quem criou.
- É realmente bastante Harryano.
- Vamos trazer uns colchões aqui para sala?
- Pra que?
- Para fazer uma super cama.
- É só olharmos no seu quarto.
- Aí não tem graça.
- Ok...
Andamos até um corredor ao lado da cozinha onde haviam
várias portas. Entramos em três quartos e trouxemos três grandes colchões de
casal.
Pegamos várias cobertas e travesseiros e tocamos ali por
cima. Ficou absolutamente gigante, o que de um ponto de vista era bom, afinal,
eu não precisaria ficar perto do Niall.
Peguei uns salgadinhos no armário e decidi que esse seria o
nosso almoço. Fechamos todas as janela e cortinas e ficamos no escuro, apenas
com a luz da TV.
Aparentemente estávamos de bem, mas ainda assim mantínhamos
distância. Talvez assim como eu, Niall já tenha percebido o que acontece
quando ficamos perto demais um do outro...
O filme começou á rodar, aparentemente era de terror.
- Que tipo de filme é? – perguntei.
- Terror. – ele respondeu. Acertei.
Que ótimo! Filmes de terror! Do tipo que você quer ficar
abraçada em alguém. Droga Niall!
- Você não prefere olhar outro? – perguntei.
- Não. Ta com medinho?
- Puff! Não!
Ele riu.
- Por que não senta mais perto? - perguntou.
- Não, obrigado.
- De mim você tem medo e não pode negar.
- Não tenho medo de você.
- Não, - ele pausou o filme - tem medo do que fica com vontade de fazer quando está perto de mim.
- Me poupe das suas fantasias.
Niall suspirou enquanto ria, então botou o filme para rodar.
- Você vai mesmo ficar longe? - ele perguntou erguendo uma sobrancelha.
- Qual é o problema?
- É um filme de terror...
- Você meio que planejou isso né? Desculpa por não entrar nos seus joguinhos.
- Ah não, fui pego. - deu um sorriso debochado - Você é tão inteligente que descobriu tudo!
- Niall, vamos olhar o filme.
- Ta, só que essa quantidade excessiva de centímetros entre nós me deixa agoniado.
- Você devia procurar um psiquiatra.
Ele riu e se arrastou de leve até meu lado. Respirei fundo.
- Melhor, viu? - ele disse botando um braço em torno dos meus ombros - Bem melhor.
- Você tem problemas mentais.
- Eu sei que você está gostando. - ele me puxou mais forte - Ta escrito nos seus olhos.
- Não acredite nos meus olhos Niall, eles mentem muito.
- Eu confio neles.
- Não devia.
Niall riu e escorou a cabeça na minha.
- Ok, agora você passou dos limites. - falei empurrando seu rosto para o lado.
- Você gosta,eu sei.
- Não gosto não.
- Até agora você não pediu para que eu saísse.
- Estamos perdendo o filme todo.
- Quem se importa?
Olhei para a tela da TV mas Niall continuava me olhando.
- Para! - eu ri.
- O que? - ele continuava me encarando.
Me virei para ele.
- Niall, olha o filme.
Ele olhou para minha boca e sorriu.
- Não. - sussurrei baixinho.
Niall botou sua mão gelada no meu rosto e trouxe em sua direção. Por algum motivo eu não resisti, apenas o beijei. Estávamos em perfeita sintonia e, pela primeira vez, eu resolvi que não fingiria que nada aconteceu.
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Continua...


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