Não é todo dia que se conhece uma garota tão desastrada á ponto de queimar toda a afiação do andar de baixo da sua casa. Para minha sorte, o engenheiro que a construiu fez uma caixa de luz para cada andar (coisa que na hora achei sem sentido). Logo que a construção terminou ele deu o numero de um eletricista dizendo o quanto ele era bom e estaria sempre pronto para me ajudar, bom, acho que quando se queima um andar da casa ás 8 da noite é exceção.
Foi desesperador para mim estar no quarto colocando minha blusa e ouvir um barulho de explosão. Eu me assustei, o que poderia ser? Procurei por uma lanterna e quando encontrei desci correndo as escadas. O andar debaixo todo estava apagado.
Andei até a cozinha e me deparei com a (S/N) em meio á uma poça de sangue e cacos de vidro. Quando corri até ela vi o quanto estava ferida,senti o sanduíche que comi de tarde me subindo na garganta ao ver os cacos cravados em sua perna.
Ela estava meio tonta, falando coisas sem sentido, até que simplesmente desmaiou. Liguei para uma médica conhecida e ela me disse para deixar (S/N) imóvel no chão,pois se eu a pegasse no colo os cacos podiam entrar ainda mais, o problema era que ela já estava no meu colo, mas enfim: 10 minutos se passaram e ela chegou correndo com sua "maletinha de emergência".
A levamos para o segundo andar e a médica a atendeu na sala de jogos e recomendou que eu ficasse esperando por 15 minutos no meu quarto. Foram os 15 minutos mais agonizantes da minha vida.
Em seguida ela chegou com (S/N) nos braços e a largou sentada em uma poltrona de couro branca ao lado da minha cama.
- Niall, a coisa não foi séria, mas também não é algo comum, ela perdeu muito sangue. Em suas costas e pernas tiveram muitos arranhões, mas não foi coisa grave. Você vai ter que trocar os curativos de hora em hora...
- Desculpa, eu não posso ver sangue, eu...
- Talvez ela acorde até passar uma hora, mas ainda assim vai estar um pouco zonza, como eu disse: ela perdeu muito sangue.
- E se ela não acordar?
- Ela vai, mas está meio dopada por conta dos remédios. Isso vai causar á ela mudança constante de humor e possíveis dores de cabeça, quando ela acordar você vai ter que a ajudar á tomar banho. Quanto mais cedo melhor.
Por algum motivo aquela informação me deixou nervoso.
- Hum, talvez seja melhor você dar banho nela... - falei - eu acho que se eu fizesse isso seria... hum... complicado.
- Niall, eu tenho que ir, vocês são namorados?
- Sim, mas não conta pra ninguém - eu não podia estragar o disfarce - é segredo.
- Ok. Se vocês são namorados então já devem ter tomado banho juntos não é mesmo?
- Claro, nós sempre fazemos isso, toda hora. Bom, não toda hora,ás vezes, muitas vezes...
- Hum... ok.
- Ok.
- Eu acho que vou indo.
- Ok.
- Você tem que me pagar.
- Ok.
Peguei minha carteira do bolso e entreguei as primeiras notas que vi. Ela sorriu, quanto dinheiro eu dei?
Uma hora depois:
Eu estava olhando TV em cima da cama, ou melhor, tentando, apenas para não pensar no que aconteceu. Na verdade, eu nem sabia o que estava passando, não conseguia parar de observar (S/N). Eu estava preocupado, pensando em como seria quando ela acordasse e se não acordasse.
De repente ela abriu os olhos, dei um pulo na cama:
- Oi, - ela sorriu, parecia bem, quer dizer, tirando o fato de que ela nunca sorri - tudo bem?
- Hum, sim... e você?
- Aham, me sinto relaxada.
- Você está com fome? - perguntei.
- Ah sim, eu acho que - ela tentou se levantar e então parou - Ai. Minhas costas então doendo. Por que minhas costas estão doendo?
- Você se machucou, lembra?
- Sim... - ela parecia meio aérea - Por acaso eu meio que... explodi a sua geladeira?
- Mais ou menos.
- Atah.
Ficamos em silencio.
- Você tem que tomar banho. - falei.
- Por que? - ela perguntou - Você está dizendo que eu estou suja?
- Calma... e não. Quer dizer, á não ser que sangue conte como sujeira.
- Ta! Como eu vou descer as escadas assim?
- Você não pode descer as escadas, lá em baixo não tem luz, você quer tomar banho frio?
- Por que você está gritando comigo? - seus olhos se enxeram d'água.
- Eu não estou gritando com você, eu estou normal.
- Você está gritando.
- Não estou não.
- Ta sim.
- Não.
- Sim.
- Não! Ok, agora eu gritei.
- Por que você gritou? O que eu fiz?
- Quase explodir a minha casa conta?
Ela começou á chorar.
- Desculpa, - falei - eu estava brincando,a médica me avisou que você estaria sensível.
- Por que você está falando isso? Está dizendo que eu sou chata? Você me odeia?
- O que? Eu nem falei isso, para de botar palavras na minha boca.
- Por que você acha que eu estou botando palavras na sua boca? Você está me chamando de mentirosa? De falsa? Está dizendo que eu sou insuportável?
- O que?
- O que? Para de se fingir!
As mudanças de humor estavam começando e eu estava ficando preocupado.
- Eu não estou fingindo. Calma.
- Calma? Por que calma? Eu não estou irritada, ok? Eu não estou irritada!
- Eu sei que você não está irritada.
- Você sabe? - ela pareceu se acalmar - Você é legal.
- Hum, valeu.
- Você é bonito, acho que te vi sem camisa.
- É, você me viu.
- Você tirou a camisa de proposito né?
- O que? Não.
- Não? Ah, eu achei que sim.
Achou certo...
- Você consegue tomar banho sozinha? - perguntei.
Um lado meu queria que ela respondesse que sim, para que eu não corresse o risco de perder a cabeça tendo que tirar a sua roupa. Porém, meu outro lado, aquele que ela despertava toda vez que me desafiava, pedia que ela respondesse que não conseguiria, assim eu teria que a ajudar.
- Hum, eu consigo. - ela respondeu.
Tenho que admitir que fiquei meio triste.
- Ok, vou pegar toalhas para você. - respondi.
Ela levantou devagar da cadeira e andou até a porta do banheiro que ficava á alguns passos. Procurei no meu armário e peguei duas toalhas. Cheguei no banheiro e ela estava rindo.
- Shampoo para clarear fios amarelados. - ela me olhou.
- A cabeleireira sempre erra no tom.
Ela continuava rindo.
- Aqui estão suas toalhas. - entreguei á ela, que segurou meu pulso.
- Você vai ter que me ajudar á tirar a blusa.
- Você não consegue mesmo? - meu melhor lado estava me alertando.
- Não.
- Tem certeza?
- Sim.
Droga.
(S/N) ficou parada na minha frente, esperando. Segurei sua blusa e puxei para cima com calma, sentindo que ela ainda estava meio colada em suas costas por conta do sangue que secou. Eu tentei não ficar olhando para os seus peitos, tentei. Seu sutiã vermelho extremamente sexy não me ajudou.
- Niall, eu estou tonta. - ela disse cambaleando.
- Serio? Nem percebi.
- Me ajuda. - ela se segurou nos meus braços, botei minhas mãos em sua cintura.
- Você quer que eu tire a sua calça? - perguntei.
- Não. - ela respondeu - Acho que vou ficar bem.
- Ok, qualquer coisa me chama.
Ela fez um movimento positivo com a cabeça e eu voltei para minha cama.
Quinze (demorados) minutos depois:
(S/N) apareceu na porta do quarto de toalha me pedindo para deixá-la sozinha. Esperei no corredor. Voltei e ela estava deitada na minha cama (na minha parte) tapada até a cabeça. Não tinha como tirá-la dali, ela estava muito fofa.
- Como foi o banho? - perguntei.
- Legal, - ela respondeu - vamos para a praia?
Eu ri.
- Você é engraçada quando está sobre efeito de remédios. - falei.
- Só quando estou sobre efeito de remédios?
- Só quando está sobre efeito de remédios. - repeti, ela me encarou.
- Vamos para praia ou não?
- Agora não é hora de brincar, melhor você dormir um pouco.
- Eu estou falando sério.
- É difícil saber quando é você e quando é o remédio.
- Sou eu.
Eu ri.
- Você quer que eu durma na sala de jogos ou eu posso dormir aqui? - perguntei.
- Vamos para praia?
- Não.
- Por que?
- Porque não.
- "Por que não" não é resposta, eu estou machucada, você poderia fazer isso por fim.
- Não.
- Você gostaria que eu dissesse ás revistas que nosso namoro é falso?
- Você está esperta demais para uma garota que deveria estar dopada.
- E você chato demais para um garoto com mentalidade de 14 anos.
A encarei.
- Então você quer ir á praia? - perguntei me sentando na cama - Fazer o que?
- Tomar banho de mar.
Ri novamente.
- O que? - ela perguntou - Eu nunca fiz isso.
- Nunca tomou banho de mar? Não zoa.
- É serio. - ela realmente não parecia estar brincando.
- Hum, nossa. Não é o momento certo, agora você está machucada.
- Você promete que vai me levar para praia um dia? - ela falava e parecia uma criancinha, com aquele pijama cor de rosa e o cabelo bagunçado.
- Eu prometo. Por que você nunca foi?
- Meu irmão. - ela deitou e se virou para o lado oposto,achei que ela fosse dormir mas ela voltou á falar - Ele prometeu, mas não me levou.
- Eu não sabia que você tem um irmão. - falei - Quantos anos ele tem?
- Tinha. - ela disse, então ficou em silencio.
Situação tensa, o que eu faço? Ele morreu? Ou eu que entendi errado?
- Ele morreu. - ela respondeu. Eu falei isso em voz alta? Cacete!
- Hum, de que?
- Overdose.
- Sinto muito.
- Eu também. Deve ser legal ir á praia com ele.
- Provavelmente... - eu estava sem jeito,um pouco chocado.
- Ele dizia que as ondas quebravam no mesmo ritmo que o seu coração.
- Profundamente brega.
- Eu sei, meu irmão era o poeta mais brega do mundo. - ela riu.
- Ele era poeta?
- Sim, ele fazia poesias sobre o meu cabelo, ele me zoava demais.
- Eu gosto do seu cabelo.
- Obrigado, eu também gosto do seu.
Deitei a cabeça no travesseiro e fechei os olhos.
- Me abraça? - ela perguntou em tom de choro.
- O que?
- Eu não estou bem.
- O que houve?
- Eu só estou com saudades.
Me inclinei para perto dela e escorei minha cabeça em seu travesseiro.
- Eu disse "abraça" e não "deita perto". - ela puxou minha mão e á pôs em torno da sua cintura, se inclinando na minha direção e encostando seu corpo no meu.
Ok, ela estava com o corpo colado no meu! É meio difícil me controlar, tipo, ah, eu sou um garoto!
- Boa noite. - ela sussurrou.
- Boa noite. - sussurrei de volta.
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Continua...

amor da minha vida continua
ResponderExcluirbjs da sua amada melhor amiga duda
mt bom
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